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04/02/2013 - 10h05

Nos anos 1970, os defensores dos direitos das mulheres tinham muitas dúvidas em relação à mastectomia. Eles afirmavam que os cirurgiões – grupo que na época era formado quase que somente por homens – removiam as mamas rápido demais após o diagnóstico de câncer.

Mas hoje as coisas mudaram. Uma nova geração de mulheres exige que os médicos utilizem abordagens mais agressivas, e um número cada vez maior vem pedindo a retirada até de mamas saudáveis com o intuito de evitar o surgimento de um câncer.

Os pesquisadores estimam que até 15% das mulheres com câncer de mama – 30 mil casos ao ano – optam por retirar as duas mamas, decisão que, no final dos anos 1990, era tomada por 3% das mulheres. Aparentemente a grande maioria dessas mulheres nunca realizou testes ou recebeu aconselhamento genético e toma a decisão com base em um medo exagerado de risco de reincidência.

Além disso, os médicos afirmam que é cada vez maior o número de mulheres que pede para se submeter à mastectomia sem ter recebido diagnóstico de câncer, amparadas pela existência de um risco genético. (Essas mulheres não constam dos bancos de dados de registro de câncer, por isso seu número é desconhecido).

"O que enfrentamos é quase uma epidemia de mastectomia profilática", afirmou Isabelle Bedrosian, oncologista cirúrgica do Centro Oncológico M.D. Anderson, em Houston. "Eu acredito que a comunidade médica tenha notado. Por que as mulheres têm optado pela cirurgia, se não temos dados que expressem essa necessidade do ponto de vista oncológico?"

Um dos motivos talvez sejam as campanhas intermináveis de conscientização que incutiram nas mulheres um medo permanente da doença. É possível que os aprimoramentos das cirurgias de reconstrução também estejam contribuindo com essa tendência, bem como o anúncio público de celebridades sobre a decisão de realizar a mastectomia preventiva.

Fonte:

Tara Parker Pope
The New York Times


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